Aux armes et cætera

Faz agora 10 anos que estive pela última vez em Paris. Uma semana de chuva, frio, nevoeiro, bibliotecas, seminários (e festas nas residências universitárias). Uma visita ao Grand Palais, para ver uma exposição sobre as origens do Impressionismo, e outra, contrafeita, ao Louvre, para visitar a ala Richelieu, que tinha acabado de abrir, com o espólio das invasões napoleónicas a Espanha. Imbirro com o Louvre, confesso, um dia explico porquê.
Cinco anos antes, em Julho de 1989, tinha tido uma emoção maior do que cruzar a neblina para aterrar em Orly, a saber, vislumbrar, pelo pára-brisas do autocarro da excursão estudantil, o cimo da Torre Eiffel, emergindo do calor, ao fundo de umas 20 horas de estrada.
Paris engalanava-se, para receber as hordas de turistas que vinham festejar os 100 anos da Torre Eiffel e os 200 da tomada da Bastilha. Os parisienses, esses, temendo a confusão, engarrafavam as saídas da cidade, rumo ao sossego. Por todo o lado, as cores nacionais lembravam a ocasião: tudo era bleu-blanc-rouge, das faixas nos edifícios e nas árvores, às vassouras dos varredores de rua.
Paris é uma cidade grande e bonita, e foi realmente curioso visitá-la, depois de tantos anos a ouvir falar dela na escola, a decorar o nome das ruas principais, dos monumentos, dos cheiros e dos sabores. Não prescindimos de longos passeios nos Champs Elysées, até ao Arco de Triunfo, na Etoile, onde nos regozijámos por não termos encontrado a inscrição de outro topónimo português a ilustrar a glória napoleónica que não fosse a fronteiriça Almeida.
Todo o pretexto era bom para subirmos a um lugar alto, de onde pudéssemos apreciar aquele imenso aglomerado populacional, com tantos habitantes como Portugal inteiro. De Montmartre, da Torre Eiffel ou do cimo de algum edifício alto, ficávamos atónitos perante aquele mar de casas que se estendia para todos os lados, numa enorme planície, e cujos contornos se esbatiam na neblina, sem que alguma vez tivéssemos conseguido perceber a sua real dimensão.

Sous le ciel de Paris

Museus (Louvre, Carnavalet), o Beaubourg (Centre Georges Pompidou), os jardins do Palácio de Versailles (calculámos mal o tempo de espera para a entrada no palácio), os do Luxembourg, Notre Dame, Sacré-Cœur, um passeio de barco no Sena.
Na Torre Eiffel, o vento e o excesso de turistas impediram-nos o acesso ao topo. Em Notre Dame, o sacristão enfureceu-se quando lhe perguntámos se o sino gigantesco, que só toca em ocasiões especiais, ia assinalar o dia da tomada da Bastilha: «Para festejar o quê? O derramamento de sangue?!».
E muitas bocas abertas, de quem nunca antes tinha ido muito longe de casa: a forma descontraída como os parisienses passeavam cães e bebés no cemitério de Père Lachaise; o tamanho dos grands magasins, tão diferentes dos nossos pequeninos Chiado e Grandella, recentemente consumidos pelo fogo; restaurantes chineses e fast-food (McDonald's e Burger King ainda não tinham chegado a Portugal).
E o espanto dos franceses, por conhecerem portugueses turistas (e não imigrantes).

Sacré-Coeur e o carrossel de Montmartre

Ligações de interesse:
> Les pages de Paris, Ville de Paris, Office de Tourisme et des Congrès de Paris, Paris Tourisme, RATP (transportes de Paris), Réunion des Musées Nationaux.
> Webcams: ABC, TF1.

Imagens: Jean-Pierre Jeunet, Le fabuleux destin d'Amélie Poulain, 2001.

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